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sábado, 13 de dezembro de 2014

O que é a Bioética?



O início da Bioética se deu no começo da década de 1970, com a publicação de duas obras muito importantes de um pesquisador e professor norte-americano da área de oncologia, Van Rensselaer Potter.

Van Potter estava preocupado com a dimensão que os avanços da ciência, principalmente no âmbito da biotecnologia, estavam adquirindo. Assim, propôs um novo ramo do conhecimento que ajudasse as pessoas a pensar nas possíveis implicações (positivas ou negativas) dos avanços da ciência sobre a vida (humana ou, de maneira mais ampla, de todos os seres vivos). Ele sugeriu que se estabelecesse uma “ponte” entre duas culturas, a científica e a humanística, guiado pela seguinte frase: “Nem tudo que é cientificamente possível é eticamente aceitável”.

Um dos conceitos que definem Bioética (“ética da vida”) é que esta é a ciência “que tem como objetivo indicar os limites e as finalidades da intervenção do homem sobre a vida, identificar os valores de referência racionalmente proponíveis, denunciar os riscos das possíveis aplicações” .

A bioética, como área de pesquisa, necessita ser estudada por meio de um olhar interdisciplinar. Isso significa que profissionais de diversas áreas (profissionais da educação, do direito, da sociologia, da economia, da teologia, da psicologia, da medicina etc.) devem participar das discussões sobre os temas que envolvem o impacto da tecnologia sobre a vida. Todos terão alguma contribuição a oferecer para o estudo dos diversos temas de Bioética. Por exemplo, se um economista do governo propõe um novo plano econômico que afeta (negativamente) a vida das pessoas, haverá aspectos bioéticos a serem considerados.

O progresso científico não é um mal, mas a “verdade científica” NÃO pode substituir a ética.

(Unifesp)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Protestar sem roupa pode levar à prisão por atentado violento ao pudor?



Não. Apesar de comumente notícias relacionadas a grupos como o Femen, onde mulheres protestam com seios à mostra, mostrarem prisões em flagrante por atentado [violento] ao pudor, é impossível, nos dias de hoje, alguém ser preso por isso. Isso porque esse crime deixou de existir em 2009.

Existe uma grande confusão entre os termos "Atentado violento ao pudor" e "Ato obsceno".

O Atentado violento ao pudor consistia em qualquer forma de sexo feito sob violência ou grave ameaça, exceto introdução do pênis na vagina (o que era estupro). Desde a nova lei publicada em 2009, os dois crimes (atentado violento ao pudor e estupro) foram incorporados em apenas um: estupro (a pena máxima é de 10 anos).

O crime pelo qual as integrantes do Femen podem ser presas é chamado ato obsceno, que significa praticar um ato obsceno em lugar público ou exposto ao público (a pena máxima é de 1 ano).

Ato obsceno é aquele que fere a moralidade pública. No caso, mostrar os seios no meio da rua. Note que obscenidade é uma avaliação subjetiva e vai depender da cabeça do magistrado. Para muitos, as mulheres devem ter o mesmo direito de mostrar seus peitos que um homem. Ninguém prende um homem andando sem camisa pela rua (aliás, recentemente nos EUA a Justiça decidiu que tirar toda a roupa para protestar não é ato obsceno, mas o exercício da liberdade de expressão).

(Coluna Para entender direito, da Folha de S. Paulo)
(Boletim do STJ)

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Gripe espanhola

A mais assassina de todas as pandemias



Em 1918, o planeta estava passando pelo conflito mais devastador da história: a 1ª Guerra Mundial. Mas as mortes no front viraram fichinha diante do estrago causado pela gripe espanhola, que avançou pelo mundo simultaneamente. As estimativas variam, mas ela provavelmente matou, em poucos meses, cerca de 50 milhões de pessoas. Até hoje, nenhuma epidemia global conseguiu superar esse macabro recorde.

Com as técnicas modernas de biologia molecular, cientistas do século 21 foram capazes até de recriar o vírus causador da gripe em laboratório. Isso, entretanto, não impede que mistérios continuem rondando a doença, a começar por sua origem geográfica. "Os locais mais prováveis são o interior dos EUA e a Europa Ocidental", diz o biólogo Atila Iamarino, que estuda evolução viral em seu doutorado na USP. "Mas muitos fatores atrapalham essas análises. Várias cidades distantes umas das outras nos EUA, por exemplo, relataram as primeiras mortes num intervalo muito curto de tempo, o que indica que o vírus já circulava antes." Para dificultar ainda mais o trabalho dos pesquisadores, os países que estavam em guerra tendiam a ocultar seus casos, porque isso revelaria que muitos soldados estavam fora de combate. "A gripe só recebeu o nome de espanhola porque a Espanha, neutra no conflito, expôs seus casos."

De qualquer maneira, a velocidade com que a doença se espalhou e a intensidade dos sintomas sugerem que o vírus - que era do tipo H1N1, tal como o da gripe suína - resultou de uma transformação nas formas de gripe que existiam antes, e provavelmente também de uma mistura com vírus que circulavam em animais, como aves e porcos. O problema é saber que alteração foi essa. "As amostras de vírus da época são poucas, e não temos dados sobre as formas virais que existiam em porcos, por exemplo", diz Iamarino.

Hoje, existem 3 hipóteses principais sobre o tema: a primeira sugere que o vírus "espanhol" veio diretamente de aves para humanos; a segunda aposta numa mistura entre vírus suínos e aviários; e a terceira fala em um vírus "mestiço" de gripes humanas e suínas. Para o biólogo da USP, a ideia de que o vírus já tinha se adaptado ao organismo de mamíferos como nós faz sentido, porque as gripes de origem aviária normalmente não são transmitidas facilmente de pessoa para pessoa.

Seja como for, a relativa novidade do vírus fez com que o sistema de defesa do organismo das vítimas não estivesse preparado para ele, o que tanto facilitou a disseminação da doença quanto a tornou mais letal. Diferentemente do que acontece em outras gripes (com exceção da atual onda de gripe suína, que é parecida com a espanhola nesse aspecto), adultos jovens e saudáveis foram mais afetados - e mortos - pela pandemia de 1918. Há várias hipóteses para esse fenômeno. Uma das possibilidades é que, justamente por serem saudáveis, essas pessoas tiveram uma reação de defesa descontrolada diante do vírus, o que acabou causando mais mal do que bem a seu organismo. Além disso, as próprias condições da guerra facilitavam a concentração de muitos indivíduos de boa saúde e na flor da idade - ou seja, soldados - no mesmo lugar, o que certamente acabou virando um prato cheio para a transmissão do vírus assassino. 

Prontuário:

Quando ocorreu - 1918-1919
Vírus causador - H1N1
Origem da epidemia - Desconhecida
Total de óbitos* - 50 milhões
Mortalidade* - 5% dos infectados

* Número estimado.

(Reinaldo José Lopes, para Superinteressante)

domingo, 10 de agosto de 2014

Uso de cadáveres nas aulas práticas de Anatomia



Na legislação brasileira, existem três formas de doação de cadáveres para as instituições de ensino: a doação em vida (através de documentação registrada em cartório), a doação pela família e a doação de cadáveres não reclamados no prazo de 30 dias (cadáveres geralmente de indigentes e pacientes psiquiátricos, lotados nos departamentos médicos legais e que são sujeitos que não expressaram sua vontade de doação). 

"O cadáver não reclamado junto às autoridades públicas no prazo de trinta dias poderá ser utilizado pelas escolas de Medicina" (artigo 2° da lei 8501/92). 

A grande necessidade de cadáveres, especialmente para as instituições de ensino superior, acaba gerando problemas como a escassa disponibilidade de corpos, uma vez que a maioria das famílias deseja enterrar seu ente por questões de ordem religiosa ou mesmo por considerar indigno o não sepultamento. Devido à escassez, afloraram contravenções do tipo roubo de cadáveres, existindo relatos muito antigos neste sentido. 

No século XIX, pessoas chegavam a ser enterradas em túmulos de ferro, com caixões duplos ou triplos, blindados com concreto ou repletos de travas para evitar o roubo. Em 1828, os ingleses Burke e Hare foram acuados de assassinar pelo menos 15 pessoas para vendê-las a um anatomista. 

Nesse contexto de necessidade de utilização de cadáveres com fins educativos e de avanço científico e de escassez dos mesmos, afloram conflitos éticos, morais, sociais e legais. 

(Lauro M. E. Dornelles, Reflexões éticas sobre questão da necessidade x escassez de cadáveres no ensino e na pesquisa, PUCRS)

sábado, 9 de agosto de 2014

Genival Veloso de França



Falar em medicina legal no Brasil torna-se quase que obrigatório citá-lo em algum momento. Autor de uma das obras mais conhecidas entre estudantes dos cursos de direito e medicina, o legista paraibano Genival Veloso de França com seus livros "Medicina legal" e "Direito médico" é a grande referência médico-legal brasileira.

Nascido em 1933, o médico, advogado e professor titular da Universidade Federal da Paraíba, hoje com 81 anos, é acatado e aplaudido tanto em centros acadêmicos do nosso país e fora dele.

Da infância pobre na periferia de João Pessoa, junto com outros 6 irmãos, conseguiu transpor as dificuldades que sua condição social lhe impusera. Estudou sempre em escola pública e teve que conciliar o ensino médio à noite e o trabalho durante o dia, tendo por 2 vezes ter que interromper os estudos, o que não lhe impediu de lutar pela concretização de seus sonhos, tendo em 1954 sua entrada na 1ª turma de medicina da Universidade Federal da Paraíba.

Mesmo sem grande escolaridade, seus pais sempre o incentivaram a avançar em seus estudos. O grande desejo de seu pai era que fosse advogado e sua mãe, médico. Hoje é um grande teórico de uma ciência que une estas duas áreas.

“Aprendi a ser humilde. Muita modéstia e pouca presunção. O acesso à fama deve ser um caminho limpo, lento e inocente. Duvidai de vós mesmos. Crer é fácil, difícil é descrer, porque exige recurso, imaginação e autoridade. Há os que acreditam em tudo porque não sabem ou porque não podem descrer”.

(FRANÇA, Genival Veloso de)

terça-feira, 15 de julho de 2014

A necropsia de Napoleão Bonaparte

Sal na comida pode ter sido o veneno



Esqueça a história de envenenamento. Tudo leva a crer que Napoleão Bonaparte, o imperador que governou a França com mão de ferro em dois períodos, entre 1804 e 1815, padeceu da mesma doença que no ano passado matou 650 mil pessoas no mundo: câncer de estômago.

Para muitos historiadores, a hipótese de assassinato sempre fez sentido. Afinal, os adversários políticos de Napoleão temiam que ele desse um jeito de escapar da prisão, na ilha de Santa Helena, e retomasse o poder - do qual abdicara após a derrota para ingleses e prussianos na Batalha de Waterloo. Na verdade, é bem capaz que o próprio imperador preferisse uma morte assim, cinematográfica. Ela combinaria bem mais com seu ego - que, segundo dizem, foi ainda maior que a ambição de conquistar a Europa. Durante décadas, apostou-se na possibilidade de Napoleão ter sido envenenado com arsênico, substância encontrada em seus fios de cabelo (preservados e analisados anos após sua morte, em 1821). O veneno teria sido gradualmente adicionado a tudo que o preso comia e bebia, sem que ele percebesse.

O enredo é ótimo, mas parece não ter fundamento. Hoje, acredita-se que a origem do arsênico encontrado em seus cabelos era outra: na época de Napoleão, pequenas quantidades dessa substância costumavam ser usadas na fabricação de vários produtos, como tônicos capilares, remédios e até papel de parede.

Autópsias rigorosas

Segundo Robert Genta, professor de patologia da Southwestern Medical School, nos EUA, o que realmente matou Napoleão foi mesmo um "trivial" câncer de estômago. Genta estudou inúmeros documentos sobre a morte do imperador, principalmente as anotações do cirurgião François Antommarchi, responsável por duas rigorosas autópsias. Os manuscritos falam de lesões nas paredes do estômago e da presença, em todo o órgão, de um material "que lembrava grãos de café". Para o patologista, são evidências de sangramento decorrente do câncer.

Genta comparou as descrições feitas por Antommarchi com 135 casos atuais de pacientes com câncer de estômago, e concluiu que o mal de Napoleão Bonaparte só poderia ser esse. "É muito difícil [para não dizer impossível] precisar a causa da doença", diz o professor. "Ela pode ter sido provocada, entre outros fatores, até por uma predisposição familiar. Mas os soldados da época, inclusive o imperador, comiam muitos alimentos preservados em sal, riquíssimos em nitritos. E é sabido que esse tipo de comida aumenta o risco de câncer gástrico."

(Ivonete Lucirio, para Superinteressante)

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Cesare Lombroso e a fisionomia do criminoso



Criminologia

O italiano Cesare Lombroso (1835-1909) foi médico, psiquiatra, antropólogo e político e é considerado um dos pais da criminologia, com seu livro "O homem delinquente" de 1876. Ele desenvolveu uma teoria bastante peculiar sobre o criminoso: que ele teria certas características físicas próprias. 

Olha só como seria um criminoso para Lombroso:

Para começar, os criminosos seriam mais altos que a média (e isso significava 1,69m na Veneza e 1,70 na Inglaterra), teriam crânios menores que os dos homens “normais” e maiores do que os crânios dos “loucos”, além de uma aparência desagradável, mas não deformada, sendo que estupradores e sodomitas teriam feições feminilizadas.

Outras características comuns seriam orelhas de abano, nariz adunco, queixo protuberante, maxilar largo, maçãs do rosto proeminentes, barba rala, cabelos revoltos, caninos bem desenvolvidos, cabelos e olhos escuros. Ladrões teriam olhar esquivo, já os assassinos um olhar firme e vidrado. Seriam ainda especialmente insensíveis à dor.

Teriam preferência por tatuagens o que provaria sua insensibilidade à dor. Os locais preferidos para tatuagens em geral (não necessariamente entre criminosos) seriam os ombros, o peito (marinheiros) a parte interna do braço e os dedos (mineiros). Criminosos teriam tatuagens nas costas ou nos genitais, muitas vezes denotando uma gangue ou imagens obscenas. Criminosos seriam ainda infantis, empáticos e extremamente vaidosos (a ponto de facilitar o trabalho de seus perseguidores) e um senso de moral extremamente apurado. Suas paixões exacerbadas que levariam a reações desproporcionais e criminosas às ações mais triviais. Isso sem contar seu interesse antinatural pelo mórbido.

Entre as mulheres, o que denotaria o potencial criminoso seria uma certa masculinidade nos traços e na voz, causados por um excesso de pelos corporais, verrugas, cordas vocais grossas com relação à laringe, mamilos pequenos ou muito grandes e mesmo sua forma de escrever. As mulheres criminosas seriam em geral mais cruéis que os homens, e possuiriam vitalidade, reflexos e força incomuns.

Hoje em dia, a maior parte de suas conclusões soam preconceituosas e tendenciosas, mas em sua época, Lombroso foi bastante respeitado e influente (inclusive no Brasil), sendo um retrato dos preconceitos sociais da Europa no século XIX, algo muito característico de seu tempo. 

Para refletir:

O autor determinou seis tipos de criminosos: o nato, o louco moral, o epiléptico, o louco, o ocasional e o passional. No entanto, as características encontradas por Lombroso eram basicamente do negro, imigrante na Itália. A tal “face” criada pelo autor se confundia com a figura afro, fato que tachou sua tese como racista.

Cesare foi um pioneiro, um estudioso renomado, mas apesar de sua teoria ter caído em desuso, tachar alguém de “marginal” é algo presente em nossa sociedade até os dias atuais. Ao contrário do autor que usava o formato do crânio, mandíbula, ente outros para formar sua opinião, hoje as características são outras. O local de sua moradia, suas vestimentas, a forma de andar..., os aspectos físicos determinados por Lombroso foram substituídos por aspectos sociais.

(Yuri Carvalho Nazareth e Carolina Carneiro Rodrigues, para revista DomTotal)
(Renato M.E. Sabbatini, PhD, para Portal Cérebro e Mente)
(Blog Construindo Victória)

sábado, 12 de julho de 2014

Características de um psicopata



Descrita pela primeira vez em 1941 pelo psiquiatra americano Hervey M. Cleckley, do Medical College da Geórgia, a psicopatia consiste num conjunto de comportamentos e traços de personalidade específicos. Encantadoras à primeira vista, essas pessoas geralmente causam boa impressão e são tidas como “normais” pelos que as conhecem superficialmente. 

No entanto, costumam ser egocêntricas, desonestas e indignas de confiança. Com freqüência adotam comportamentos irresponsáveis sem razão aparente, exceto pelo fato de se divertirem com o sofrimento alheio. Os psicopatas não sentem culpa. Nos relacionamentos amorosos são insensíveis e detestam compromisso. Sempre têm desculpas para seus descuidos, em geral culpando outras pessoas. Raramente aprendem com seus erros ou conseguem frear impulsos.

Não é de surpreender, portanto, que haja um grande número de psicopatas nas prisões. Estudos indicam que cerca de 25% dos prisioneiros americanos se enquadram nos critérios diagnósticos para psicopatia. No entanto, as pesquisas sugerem também que uma quantidade considerável dessas pessoas está livre. Alguns pesquisadores acreditam que muitos sejam bem-sucedidos profissionalmente e ocupem posições de destaque na política, nos negócios ou nas artes. 

Há psicopatas em todas as partes: dirigindo um transporte público, administrando uma empresa ou governando um país. Onde menos se espera pode haver alguém com uma psicopatia: um transtorno de personalidade antissocial . Claro que isso não significa necessariamente que essas pessoas sejam más, apenas não sentem empatia pelos outros nem remorso pelos seus atos. Eles vivem pelas suas próprias regras e só sentem culpa quando rompem com o seu código de conduta.

Para os psicopatas as pessoas são coisas, objetos que servem para satisfazer seus interesses. Se na sua programação não estiver machucar o outro, não o farão. E poderão viver em comunidade porque entendem os códigos sociais. Eles se adaptam. O terrível acontece quando eles não conseguem evitar de fazer o mal. Mas a maioria não comete crimes, ainda que não tenham vergonha de mentir, manipular ou machucar para conseguir o que têm em mente.
Quando cometem crimes, de um ponto de vista penal, como estão conscientes dos seus atos, são responsáveis. Mas, ao contrário de um réu normal, não existe a possibilidade de correção de sua conduta, assim a reabilitação é baseada em uma forma de vida que possa lhes trazer benefícios e evitar outros danos.

Características:

Faceta interpessoal:
1. Eles têm uma boa oratória e charme. São simpáticos e conquistadores num primeiro momento.
2. Têm uma autoestima exagerada. Se acham melhores que os outros.
3. São mentirosos patológicos. Mentem principalmente para conseguir benefícios ou justificar suas condutas.
4. Têm comportamento manipulador. E, se forem inteligentes o bastante, os outros não perceberão esse comportamento psicopata.

Faceta afetiva:
5. Não sentem remorso ou culpa. Nunca ficam em dúvida.
6. Quanto à afetividade, são frios e calculistas. Não aceitam as emoções, mas conseguem simular sentimentos se for necessário.
7. Não sentem empatia. São indiferentes. E até podem manifestar crueldade.
8. Têm uma incapacidade patológica para assumir responsabilidade pelos seus atos. Não aceitam os seus erros. Eles raramente procuram ajuda psicológica, porque acham que o problema é sempre dos outros.

Faceta estilo de vida:
9. Necessitam de estímulo constante. Ficam aborrecidos facilmente.
10. Gostam de um estilo de vida parasitário.
11. Agem descontroladamente.
12. Não têm metas a longo prazo. Vivem como nômades, sem direção.
13. Eles se comportam impulsivamente. Com ações recorrentes que não são premeditadas. Junto com a falta de compreensão das consequências de suas ações.
14. São irresponsáveis.

Faceta antissocial:
15. Tendem a ser deliquentes na juventude.
16. Demonstram problemas de conduta desde a infância.
17. Tiveram a revogação de sua liberdade condicional.
18. Eles têm versatilidade para a ação criminal. Eles preferem golpes e delitos que requerem a manipulação de outros.
Outros não incluídos em nenhuma das facetas:
19. Têm tendência a uma vida sexual promíscua, com vários relacionamentos breves e ao mesmo tempo. Gostam de falar sobre suas conquistas e proezas sexuais.
20. Acumulam muitos casamentos de curta duração. Não se comprometem por muito tempo por ter que manter um vínculo.

Estes items formam o método popular chamado de PCL (Psychopathy Checklist) desenvolvido por Robert Hare, PhD em Psicologia e professor da Universidade de British Columbia no Canadá. Cada atributo recebe uma pontuação de zero a dois, e para o diagnóstico correto se adiciona uma entrevista semiestruturada e a análise do histórico do paciente. Segundo Hare, um por cento da população é psicopata.

Pode acontecer mesmo em uma idade precoce. Segundo o psiquiatra forense John MacDonald há uma tríade que poderia indicar uma futura personalidade psicopática: crueldade com animais, piromania e a incontinência urinária persistente depois dos quatro ou cinco anos de idade.

Na sociedade já ficou instituído, graças a Hollywood, a ideia de que todos os psicopatas são como Hannibal Lecter ou Dexter, encantadores, com certeza. Mas é claro que não é preciso esquartejar alguém para ser louco. Assim, é melhor estar ciente das pessoas ao seu redor. Que não esteja sendo vítima de uma manipulação enlouquecida e ainda não ter se dado conta.

(Pablo Huerta, para Discovery ID: íntegra em http://migre.me/jV7YI)
(Scott O. Lilienfeld e Hal Arkowitz, para Mente e Cérebro: íntegra em http://migre.me/jV7Vj)

Para conhecer mais:
Without conscience – The disturbing world of the psychopaths among us. Robert D. Hare. Guilford Press, 1999. 
Handbook of psychopathy. Christopher J. Patrick (ed.), Guilford Press, 2007.

Armas de fogo

O que são armas de fogo e quando surgiram?



Conforme o anexo do Decreto nº 3.665, de 20 de novembro de 2000 (R-105), armas de fogo são:

“armas que arremessam projéteis empregando a força expansiva dos gases gerados pela combustão de um propelente confinado em uma câmara que, normalmente, está solidária a um cano que tem a função de propiciar continuidade à combustão do propelente, além de direção e estabilidade ao projétil.” (art. 3º, inciso XIII, anexo)

Embora a definição acima possa parecer complicada, não é. Acompanhe! 

As armas de fogo são aquelas que utilizam a força dos gases gerada pela queima da pólvora para lançar um projétil. São máquinas térmicas, como os motores dos carros e as caldeiras ou seja, utilizam a transformação em gás da pólvora ou do combustível ou, ainda, da água para realizarem as suas funções. Elas receberam esse nome pelas labaredas que saíam da boca do cano no momento do disparo. 

Não existe consenso entre os historiadores acerca do surgimento das armas de fogo nem do início da sua utilização. Existem relatos do emprego de armas de fogo pelos mouros na defesa de Zaragoza em 1118. Para outros historiadores, o emprego das armas de fogo começa em 1257, quando os mouros utilizaram na defesa de Niebla pequenos canhões que empregavam pólvora negra como propelente. 

Alguns historiadores apontam que as primeiras armas de fogo, ainda improvisadas, provavelmente surgiram na China logo após a invenção da pólvora, no século IX. Em tubos de bambu, essa mistura de salitre, enxofre e carvão vegetal que explode em contato com o fogo era usada para atirar pedras. Os árabes aperfeiçoaram o invento no século XIII, quando os canhões passaram a ser feitos de madeira e reforçados com cintas de ferro. Mas a contribuição decisiva veio no século XIV, quando surgiram os primeiros canhões de bronze, mais seguros. "O canhão abre caminho para a evolução tanto do armamento pesado quanto do individual", diz o historiador João Fábio Bertonha, da Universidade Estadual de Maringá, Paraná. As primeiras armas de fogo portáteis aparecem no século XV. "É uma verdadeira revolução: os soldados ganham outra importância e as táticas de guerra mudam completamente", afirma João Fábio. A primeira arma individual amplamente usada em batalhas é o mosquete, criado no século XVI. Mas a invenção é lenta e tem péssima pontaria.

No século seguinte, com o fuzil de pederneira, a pontaria melhora, mas muitos disparos falham e o soldado ainda precisa abastecer manualmente a arma com a pólvora e o projétil. No século XIX, a criação dos cartuchos e dos mecanismos de carregamento pela culatra tornou as armas mais confiáveis e impulsionou de vez a tecnologia bélica. O ponto culminante foi a automação, com a invenção da metralhadora em 1884. Para completar, os modelos de submetralhadoras, fuzis de assalto e pistolas automáticas do final do século XX tornaram infinitamente mais preciso - e perigoso - o poder de destruição das armas.

Bang! Bang!
Evolução dos armamentos começa na Idade Média e deslancha na Era Moderna

SÉCULO XIII

Os primeiros canhões eram dispositivos rudimentares, feitos de madeira e reforçados com cintas de ferro. Um século depois, apareceram os modelos de metal fundido, mais seguros, que mudaram a história das guerras

SÉCULO XVI

A primeira arma de fogo portátil, o mosquete, era muito pesada (10 quilos) e difícil de recarregar: o soldado precisava introduzir o pavio e a bala pela boca do cano. Como a operação demorava alguns minutos, depois do primeiro tiro era muito mais fácil usar a espada. Mas a pistola não demorou a ser inventada, a partir de um mosquete reduzido. Ela passou, então, a ser usada nas guerras, como arma reserva, o último recurso de defesa em situações de emergência

SÉCULO XVII

O fuzil de pederneira aposentou definitivamente o mosquete, pois tinha alcance muito maior e pontaria bem mais precisa. Com ele, um soldado bem treinado conseguia atirar duas ou três vezes por minuto - mas ainda precisava carregar pólvora e balas em um saquinho

SÉCULO XVIII

O fuzil de retrocarga tornou o recarregamento muito mais rápido e seguro: pela culatra (a traseira da arma), colocava-se um cartucho que já unia bala e pólvora num único dispositivo. Assim, passou a ser possível disparar até sete tiros por minuto

SÉCULO XIX

O revólver, patenteado em 1835 pelo americano Samuel Colt, introduziu o tambor giratório, capaz de disparar vários tiros apenas pressionando o gatilho seguidamente. Os calibres .38 e .45 foram adotados pelos exércitos no começo do século XX - mas, uma década depois já eram substituídos pelas pistolas automáticas

A metralhadora, inventada pelo inglês Hiram Maxim em 1884, trouxe outra grande vantagem: a saraivada rápida e automática enquanto o gatilho permanecer pressionado. Da Primeira Guerra Mundial em diante foi adotada por todos os exércitos

SÉCULO XX

O fuzil de assalto pode tanto funcionar automaticamente quanto disparar rajadas de três tiros a cada aperto no gatilho. Hoje, é a arma de infantaria mais usada pelos exércitos. Os mais comuns são o Colt M 16 (americano) e o Kalashnikov AK 47 (russo): há quase 50 milhões deles no mundo

A submetralhadora, ou metralhadora de mão, se popularizou na Segunda Guerra Mundial, por ser muito mais eficiente para tiros à queima-roupa até 150 metros de distância. As mais modernas, como a famosa Uzi israelense, disparam até 600 tiros por minuto. As primeiras pistolas automáticas já haviam surgido no final do século XIX, mas só emplacaram em modelos muito mais modernos, como a Beretta M9. Criadas na década de 80, essas armas têm capacidade para saraivadas de 15 tiros.

(SENASP e Superinteressante)

sexta-feira, 13 de junho de 2014

CSI: 4 coisas que você não sabia sobre a investigação forense

Saiba um pouco mais sobre quatro ferramentas utilizadas por esses profissionais na vida real



Se você é fã de séries como CSI, Bones e NCIS, e até já se interessou em se tornar um agente como os dos programas, primeiro você precisa saber que o cotidiano desses profissionais não é tão emocionante como o que vemos na TV. Na verdade, os agentes passam muito mais tempo escrevendo relatórios do que vasculhado cenas de crimes ou nas ruas capturando bandidos, e muitas das tecnologias que aparecem nos episódios nem sequer existem.

Contudo, isso não significa que algumas coisas que vemos nos seriados não sejam reais ou que o cotidiano dos investigadores forenses seja uma chatice! A seguir você pode conferir quatro ferramentas que esses profissionais usam durante as investigações:

1 – Luminol



Sabe quando os investigadores dos seriados usam aquela substância química mágica que torna alguns fluídos corporais visíveis sob a luz negra? Então, esse composto existe de verdade e consiste em um pó que, depois de misturado com um reagente específico, brilha com uma intensa coloração azul quando entra em contato com a hemoglobina.

Assim, o luminol é uma ferramenta extremamente útil, já que permite que os agentes detectem a presença de sangue — mesmo em quantidades minúsculas — em locais pouco visíveis e até mesmo áreas que foram lavadas anos antes. Contudo, a substância deve ser usada com cuidado, pois pode destruir a evidência totalmente, sem contar que pode reagir quando em contato com outros compostos, como a urina e o cobre.

2 – Necropsia digital



Outra coisa que você já deve ter visto em algum episódio foi a análise digital de cadáveres. Efetivamente, embora ainda não esteja disponível em todos os locais, essa proposta pode se tornar uma alternativa válida em breve. Isso porque, as necropsias podem ser muito traumáticas para as famílias das vítimas, sem falar que algumas culturas e religiões banem esse procedimento.

Nesse sentido, a Universidade de Leicester, na Inglaterra, desenvolveu um método baseado na injeção de uma substância reagente através de uma pequena incisão no pescoço que permite o mapeamento de todos os vasos sanguíneos por da tomografia. O procedimento permite determinar a causa da morte com um índice de 80% de precisão, e se o homicídio for descartado, a necessidade de dissecar o corpo é dispensada.

Além de menos invasivo e traumático, o procedimento também oferece mais segurança para a equipe médica, já que assim evita-se o contato com material potencialmente infeccioso. E mais: caso seja necessário, o exame pode ser realizado com tecnologia tridimensional.

3 – Kits de investigação



Sabe quando os investigadores entram em cena com aqueles kits para coletar possíveis evidências dos corpos? Na vida real eles também existem, já que as vítimas também fazem parte da cena do crime. No entanto, apesar de parecer que tudo ocorre em um piscar de olhos, os examinadores chegam a passar entre quatro e seis horas documentando cada marquinha e laceração, coletando material sob as unhas, fibras sobre a pele, mucosas etc.

E, assim como nos seriados, nem sempre a vítima está morta! Portanto, embora seja imprescindível e realmente leve à captura de muitos criminosos, o exame pode ser extremamente traumático. Ainda assim, os kits continuam sendo melhorados, e hoje os investigadores inclusive contam com uma substância fluorescente que permite localizar áreas do corpo com lacerações com maior facilidade e rapidez.

4 – Amostras de DNA



Os exames de DNA também são outra ferramenta que pode ajudar os investigadores da vida real a capturar criminosos. No entanto, a coisa não é tão simples como vemos nos seriados, pois as amostras podem ser facilmente contaminadas. Aliás, existe um caso bem interessante ocorrido na Alemanha que ilustra esse tipo de dificuldade. Durante mais de 15 anos, as autoridades ficaram à caça da serial killer mais procurada do país.

Tudo começou com o assassinato de uma policial na cidade de Heilbronn, seguido pela morte de outras seis vítimas em locais aleatórios e diversos roubos. Embora a tal criminosa tenha conseguido escapar sem ser pega de mais de 40 cenas de crimes, os investigadores tinham diversas amostras de seu DNA guardadas em seu banco de dados, e elas apontavam que se tratava de uma mulher.

A surpresa ocorreu em 2009, durante a investigação sobre um homem que havia cometido suicídio. Ao tentar determinar a identidade do falecido, os policiais detectaram o DNA da serial killer nos documentos do morto. Isso os levou a descobrir que, na verdade, os kits utilizados para coleta das evidências havia sido contaminado acidentalmente por uma moça — inocente — que trabalhava na fábrica que produzia os “cotonetes” usados pelos investigadores.

(Maria Luciana Rincon, para Megacurioso)

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Os serial killers mais famosos da história

Conheça os principais assassinos seriais da História, incluindo alguns que chegaram a inspirar filmes. As mulheres também participam da lista.




Assassinos seriais são criminosos que matam pessoas de acordo com determinados padrões, como características que ativam algum comportamento psicológico ou que interessam ao assassino. Normalmente, o modo de atuação ou o método usado para matar as vítimas também se repete nos assassinatos.

1. Jack, o estripador

Responsável pelo assassinato de prostitutas na área de Whitechapel, durante o ano de 1888, em Londres, Jack nunca teve sua identidade revelada. Entretanto, se tornou um dos assassinos seriais mais famosos da história. Suas vítimas tinham os órgãos internos removidos de maneira praticamente cirúrgica.

Foto de um jornal da época anuncia mais uma morte feita por Jack, o estripador:


2. Ed Gein

Este cruel assassino foi usado como base para a construção do personagem “Bufallo Bill”, do filme “O silêncio dos inocentes”. Ed Gein não só matava, como também removia a pele de suas vítimas, exumava corpos e decorava a casa com partes dos cadáveres. A pele dos mortos também era usada para fazer roupas e móveis. Ed Gein morreu em 26 de julho de 1984, em um hospício.

3. Assassino do zodíaco

Mais um nome da lista que nunca foi capturado. Responsável por cinco assassinatos confirmados durante a década de 60, no norte da Califórnia. Porém, o serial killer afirmava ter matado 37 pessoas e deixou cartas codificadas que até hoje não foram decifradas completamente.

Ainda hoje o FBI recebe denúncias de pessoas que podem ser o verdadeiro assassino do zodíaco, mas nunca chegou a uma conclusão concreta. Livros e filmes já contaram essa história de mistério muitas vezes.

4. Charles Manson

Esse assassino serial atingiu um patamar de maldade que poucos conseguiram. Líder de uma seita hippie em São Francisco, em 1967, Manson abrigava, em geral, pessoas que se revoltavam contra os pais ou possuíam problemas emocionais muito profundos. Com isso, Manson convenceu muita gente a liberar seus instintos assassinos e a roubar os mais ricos para levar dinheiro para sua seita. Normalmente, eles escreviam mensagens com o sangue das vítimas nas paredes do local onde o assassinato ocorreu.

5. Albert Fish

Sequestrador, estuprador e canibal com um longo histórico de insanidade na família. Chegou a enviar carta para os familiares de uma de suas vítimas, contando detalhes de como a devorou. Foi executado na cadeira elétrica.

6. Mary Ann Cotton

Inglesa que matou mais de 20 pessoas, incluindo seus próprios filhos, com arsênio. É a assassina serial mais conhecida de todos os tempos. Matou três maridos, um amante e diversas crianças para obter dinheiro do seguro. Foi enforcada em 24 de março de 1873.

7. Marybeth Tinning

Conhecida por ter matado nove de seus filhos por estrangulamento, levando-os ao hospital quando já estavam praticamente mortos. Passou despercebida durante muito tempo pelas autoridades, já que acreditavam que as vítimas morriam por condições genéticas da família. Quando a mesma “fatalidade” aconteceu com uma criança adotada, os doutores passaram a suspeitar de Marybeth. Foi sentenciada à prisão perpétua em 17 de julho de 1987.

8. Mary Bell

A terceira mulher desta lista com o nome de Mary estrangulou duas crianças de quatro e três anos quando ainda era, também, criança, tendo apenas 10 anos. Conta-se que a vida de Mary Bell foi muito sofrida, já que sua mãe, uma prostituta bêbada bastante cruel, proporcionou diversos eventos traumáticos durante o seu crescimento.

(Felipe Arruda, para Megacurioso)

Mortes estranhas na história - Ésquilo (456 a.C.)



Ele foi um dramaturgo e poeta grego. Escreveu inúmeras peças de teatro e é reconhecido como o pai da tragédia. 

Mas tragédia mesmo foi o jeito que ele morreu: Traumatismo craniano causado por uma tartaruga (?!). 

O poeta foi morto por uma tartaruga (ou jabuti), onde o animal caiu das garras de uma águia que voava, e foi direto na cabeça de Ésquilo, causando-lhe traumatismo craniano. Como é costume as águias capturarem esse tipo de animal e lançá-los sobre uma rocha para quebrar o casco, não se sabe se se a águia soltou o animal de propósito ou se escorregou e atingiu acidentalmente a cabeça do poeta.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

A dama e a morte

Casos em que a perícia foi essencial para solucionar os crimes

Cada vez mais presente em séries de televisão e filmes, a perícia forense é comum em investigações, não com o mesmo glamour que aparece nas histórias de ficção, mas de suma importância na solução de assassinatos. 



1 - Caso PC Farias

Em 23 de junho de 1996, o empresário e ex-tesoureiro da campanha de Fernando Collor de Mello à presidência da república, Paulo César Farias, conhecido como PC Farias, e sua namorada Suzana Marcolino foram encontrados mortos na casa de praia de PC, em Maceió. A primeira versão, dada pela polícia e corroborada pelo perito Fortunato Badan Palhares, era de que Suzana havia matado PC Farias e, em seguida, se suicidado. O motivo? Crime passional. O empresário estaria saindo com outra mulher, Cláudia Dantas.

Em 1998, a equipe dos peritos Daniel Munhoz, da Universidade de São Paulo (USP), e Genival Veloso de França, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), contestou o laudo de Badan Palhares. De acordo com a nova perícia, tanto PC quanto Suzana teriam sido assassinados. Uma divergência crucial entre as perícias se refere à altura de Suzana. Enquanto a primeira afirmava que ela tinha 1,67 m; a segunda, 1,57 m. Não é preciosismo. A altura é essencial para saber se o tiro que matou o empresário poderia ter partido de Suzana ou não.

Mas havia outras inconsistências. O revólver encontrado na cena do crime não tinha digitais. Se Suzana tivesse matado PC Farias e, depois, se matado, ela deveria estar com luvas nas mãos, o que não aconteceu. O perito Ricardo Molina, ao analisar as gravações das ligações do celular de Suzana, constatou a presença de uma terceira pessoa no local do crime.

Fatos como a família Farias ter queimado o colchão e os lençóis onde estavam os corpos menos de 72h após o crime e os seguranças de PC não terem ouvido os tiros também provocaram dúvidas a respeito da versão de assassinato seguido de suicídio. Em 18 de novembro de 1999, a polícia encerrou o inquérito sobre a morte de PC e indiciou os então seguranças e o irmão do empresário, o ex-deputado Augusto Farias. Quase 16 anos depois, o caso ainda não foi julgado.

2 - Caso Isabella Nardoni

Isabella de Oliveira Nardoni, de 5 anos, foi morta na noite de 29 de março de 2008. A perícia concluiu que a menina foi atirada do sexto andar do prédio onde moravam o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, na Zona Norte de São Paulo.

A versão do pai e da madrasta afirmava que alguém teria entrado no apartamento e jogado a menina pela janela. Segundo o casal, eles teriam chegado ao prédio naquela noite com Isabella e os dois filhos, Pietro e Cauã. Alexandre Nardoni teria subido primeiro apenas com Isabella, que estaria dormindo. Depois de deixar a filha na cama, ele teria voltado até a garagem para ajudar Anna Carolina com os dois meninos. Ao voltar para o apartamento, Alexandre teria encontrado a porta aberta, a tela de proteção cortada e a menina caída no jardim do prédio.

Mas a perícia desmentiu tal versão: rastros de sangue foram encontrados na porta de entrada do apartamento do casal, na sala, no corredor e no quarto dos irmãos da menina. Havia sangue, também, na maçaneta, no carro da família, na tela de proteção e no parapeito da janela do quarto das crianças. A tela de proteção da janela estava cortada. Os laudos mostram que havia indícios de que Isabella havia sido espancada antes da queda. Não havia sinal de arrombamento do apartamento e nem de furto. A perícia revelou, também, que a menina não foi jogada pela janela agressivamente, mas de forma delicada, pelos pulsos. Havia marcas da mão e dos joelhos de Isabella logo abaixo da janela.

A defesa dos Nardoni não contestou as provas técnicas, mas sustentou que elas não comprovavam a culpa do pai e da madrasta de Isabella. Após cinco dias de julgamento, o júri condenou o casal. Alexandre Nardoni foi condenado a 31 anos e Anna Carolina Jatobá, a 26 anos, em regime fechado.

3 - Caso Richthofen

O casal Manfred e Marísia von Richthofen foi morto em 31 de outubro de 2002 com golpes de barra de ferro. A polícia foi chamada por Daniel Cravinhos, namorado da filha do casal, Suzane von Richthofen. Ele disse à polícia que a casa parecia ter sido assaltada.

Ao chegar ao local, a polícia encontrou apenas dois cômodos revirados, o quarto das vítimas e a biblioteca. Em um primeiro momento, a situação sugeria latrocínio – roubo seguido de morte. O crime parecia ter sido cometido por pessoas próximas à família. O casal foi encontrado com os rostos cobertos, o que, segundo os peritos, é sinal de que as vítimas conheciam os agressores. Além disso, a forma com que os papéis da biblioteca estavam no chão levava a crer que eles não haviam sido atirados de forma aleatória, mas que haviam sido colocados propositadamente. Se tivesse sido latrocínio, segundo os policiais, deveria haver sinais de arrombamento, que não foram encontrados. O fato de o alarme da casa não ter funcionado também levantou dúvidas nos investigadores.

A suspeita de que o assassino fosse íntimo da família aumentou quando a polícia descobriu que um fundo falso no armário estava revirado. Ao mesmo tempo em que os peritos examinavam a biblioteca, Suzane era interrogada. Ela contou não ter mexido na casa e disse ter visto a pasta que guardava o dinheiro da família na biblioteca cortada. No entanto, essa versão era incompatível com acena encontrada. A pasta estava de fato na biblioteca, mas com o corte virado para baixo, impossível de ser visto sem que se mexesse no objeto.

As suspeitas em relação a Suzane e ao namorado aumentaram quando policiais, dois dias após o crime, apareceram na casa dos Richthofen para uma vistoria e encontraram Suzane, Daniel e um casal de amigos se divertindo na piscina ouvindo música alta. Os telefones da casa foram grampeados e campanas foram montadas nos arredores das casas dos principais suspeitos. O fato de Christian Cravinhos, irmão de Daniel, ter comprado uma moto por US$ 3,6 mil pouco tempo depois do assassinato com 36 notas de US$ 100 pareceu um indício bastante contundente do envolvimento na morte dos pais da namorada do irmão.

Confrontados com a análise da perícia, Suzane e os irmãos Daniel e Christian Cravinhos confessaram o crime. Uma semana depois, a perita-chefe do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), Jane Belucci, fez com eles a reconstituição do homicídio. O Tribunal do Júri condenou Suzane Richthofen e Daniel Cravinhos a 39 anos pelos assassinatos. Já Christian Cravinhos foi condenado a 38 anos de reclusão.

O legista e as séries de TV

Lá está o corpo estendido no chão. Evidências mostram que a vida de alguém foi tirada prematuramente. Marcas vermelhas ao redor do pescoço sugerem que a vítima foi estrangulada. Um exame minucioso no cadáver e épossível dizer que o assassino tinha mãos grandes, e força compatível com a do suspeito. O laudo médico de um legista, nessas horas, pode ser a diferença entre a justiça ser ou não feita.

Ser legista é isso. É apontar soluções, caminhos e provas para que finalmente a vida roubada possa ser, de alguma forma, recompensada. É a profissão que faz diferença na vida (e na morte) de muitas pessoas. Afinal, eles são os responsáveis por apontar o que aconteceu no momento exato que aquele corpo cruzou a linha do descanso eterno. Interessante, não? É por isso que o mundo da ficção adora esses personagens, seu trabalho e seus dramas também.

Se há alguns anos os médicos legistas eram meros coadjuvantes nos “procedurals” de drama, hoje, eles contam com uma participação cada vez maior nessas tramas. Alguns, até estrelam suas próprias séries – caminho que já havia sido aberto em meados da década de 1970 com a primeira série cujo protagonista era um médico legista, interpretado por Jack Klugman (Quincy, M.E. – 1976-1983), mas só nos anos 90 que eles se tornaram populares. Com o sucesso cada vez maior de séries como CSI e seus spin-offs, Crossing Jordan, Silent Witness (Testemunha Silenciosa), Bones, Rizzoli & Isles, Body of Proof, os legistas e peritos ilustram um aspecto nada agradável das investigações, aquele no qual os detalhes são repugnantes, e extremamente necessários, não se resumindo apenas aos interrogatórios, perseguições e tiroteios de costume.

A vida desses profissionais e sua habilidade em determinar os rumos de uma investigação ou até um veredito enchem as histórias com enredos que prendem a atenção do telespectador. 

Rotina esta que começa sempre com uma necrópsia. O exame clínico nos restos mortais. O legista colhe materiais como DNA, órgãos e amostras de sangue e fluido para tentar reconstruir as condições de vida que a vítima se encontrava na hora da morte. O último suspiro. Nesses exames, é possível descobrir a causa e hora da morte, e até encontrar vestígios que levem até o assassino, tendo uma atuação quase sempre determinante nas investigações policiais.

(Texto de Patricia Emy)

Para assistir:

CSI: Crime Scene Investigation - Canal Sony, todas as segundas às 21h
Body of Proof - Canal AXN, todas as terças às 13h
CSI Miami - Canal AXN, segunda-sexta às 20h
CSI NY - Canal AXN, segunda-sexta às 19h


quinta-feira, 5 de junho de 2014

10 coisas que você não sabia sobre necropsias


Fãs de seriados policiais, como CSI e Dexter, provavelmente conhecem um pouco do trabalho da perícia, mas mesmo eles poderão se surpreender com a (mórbida) lista de curiosidades sobre necropsias que apresentamos a seguir:

1 - Até a Renascença, a autópsia de seres humanos era considerada uma afronta em praticamente todas as culturas. Assim, o jeito era dissecar animais que tivessem alguma semelhança anatômica com humanos.

2 - A Universidade de Bologna (Itália) foi a primeira instituição a usar autópsia forense (motivada por questões legais), no Século 14.

3 - Em 1533, a Igreja Católica ordenou a autópsia das gêmeas siamesas Joana e Melchiora Ballestero. O objetivo era descobrir se elas tinham duas almas, o que seria “confirmado” pela presença de dois corações (que elas realmente tinham), de acordo com a antiga crença grega de Empedocles de que o coração era a morada da alma.

4 - No Século 18, o autopsista Giovanni Battista Morgagni introduziu a ideia de buscar ligações entre sintomas clínicos e observações obtidas após a autópsia, que, dessa forma, passaria a servir não apenas para obter informações anatômicas, mas também para ajudar a descobrir diagnósticos e desenvolver tratamentos.

5 - Obcecado com os desenhos anatômicos feitos pelo médico Andreas Vesalius, o juiz Marcantonio Contarini permitiu que fossem realizadas autópsias em criminosos executados. A partir de 1539, foram feitos enforcamentos agendados com base na necessidade de autópsias.

6 - Por falta de recursos mais precisos (e de conhecimento sobre transmissão de doenças), o médico italiano Antonio Valsalva lambia (!?) fluidos encontrados em cadáveres para melhor caracterizá-los, no século 17. Ele escreveu que pus gangrenoso não tinha um sabor agradável, e que ficava na língua durante boa parte do dia (que bom que ele avisou, não?).

7 - Em 1828, os imigrantes irlandeses William Burke e William Hare se uniram para assassinar 16 pessoas na Escócia e vender os cadáveres a um médico para dissecação. Quando a trama foi descoberta, Hare testemunhou contra Burke, que foi enforcado em 1829. Ironicamente, o cadáver de Burke foi dissecado (em público), e seus restos mortais estão em exposição na Universidade de Edinburgh (Escócia). Não bastasse isso, algumas pessoas roubaram parte de sua pele durante a autópsia e usaram para fazer carteiras, que foram vendidas nas ruas.

8 - Na década de 1970, autópsias de pacientes que estavam usando a droga anticancerígena Adriamycin revelaram que seus músculos cardíacos haviam atrofiado, o que levou a restrições ao uso do medicamento. A realização de autópsias também foi fundamental para a evolução de próteses de articulações e de válvulas cardíacas, além de transplantes de coração.

9 - Ao final do procedimento, o cérebro que por ventura foi retirado é colocado novamente no corpo, não necessariamente no mesmo lugar (o cérebro pode ser recolocado na cavidade abdominal).

10 - Há pouco esguicho de sangue durante uma autópsia, já que o cadáver não tem pressão sanguínea.

(hypescience.com)

domingo, 11 de maio de 2014

Y TENIA CORAZÓN



"O homem erudito é um descobridor de fatos que já existem - mas o homem sábio é um criador de valores que não existem e que ele faz existir."
Albert Eisntein

Conheci esta maravilhosa obra de Simonet por intermédio de um companheiro de LAMEL, o qual sempre colocava como último slide de suas apresentações este fascinante quadro.
Pintado em 1890 pelo artista espanhol Enrique Simonet y Lombardo, Y Tenia Corazón mostra um médico-legista a analisar o coração recém-extraído de uma jovem morta (tuberculose?), a qual jaz sobre uma mesa de autopsia.
É patente no rosto do velho cientista o questionamento ao analisar o órgão segurado em sua mão esquerda. Parece realmente que ele acaba de presenciar não apenas uma descoberta, mas uma revelação. Acredito que sua perspicácia tenha enxergado algo além do coração, além da anatomia, além do comboio de músculos e válvulas, arranjados para bobear a vida. A concentração expressa pela sua fronte e pelo seu olhar demonstra a profunda admiração deste senhor perante os sentimentos da moça (infeliz vítima de uma “mala viba”).
               Sabemos que a tuberculose era na época do quadro uma doença considerada indigna, visto que sua ocorrência era particularmente alta na escória da população, na qual se incluíam aqueles de vida libertina, calcadas nos excessos e na lama que sujava os tavernas e cabarés daquela época. Bom, pelo menos esse era o pensamento vigente naqueles tempos... A mulher morta (jovem, bela, pálida, envolvida por um espectro cândido), não obstante fosse possivelmente uma desregrada, em desconforme com os padrões de moça obediente da época, possuía sentimentos, sonhos e inocência quiçá (tanto que o sábio cientista observa isso...). Afinal, ela tinha um coração! Uma sociedade moralista como aquela, entretanto, amputava tal símbolo de dignidade a qualquer indivíduo mais ou menos desviado do caminho considerado o correto. E somente alguém com experiência, sensibilidade e sabedoria (livre de valores convencionais) seria capaz de diagnosticar um coração naquela jovem considerada de mala vida.

              Artisticamente, a pintura enquadra-se no realismo social, tendo em vista o tratamento que o pintor oferece à obra. A riqueza de detalhes é espantosa, notando-se, assim, a meticulosidade de Simonet ao planejar seu quadro. A bacia com água (a qual reflete a cortina e um pedaço da janela) e uma esponja sobre a mesa são objetos que dominam o canto inferior direito da obra. Nota-se que a mesa está molhada, e que há instrumentos de corte sobre ela.
              No quadrante superior direito há a janela, fundamental para a formação de uma das mais notáveis características da obra: o contraste entre luz e sombra. Pela janela incide a luz do dia, opondo-se ao ambiente escuro da sala e das paredes, bem como com aquela figura de negro mais ao centro da imagem. A vidraçaria sobre o parapeito quebra a uniformidade do meio, além de realçar o espírito científico (a objetividade) que a obra carrega. Chama atenção também o arco de corda, cuja presença realça a minudência da obra.
              Mais ao centro está o corpo da mulher. A beleza, a juventude, os cabelos longos, a inconsciência, a passividade e a nudez são algumas das características mais marcantes da figura. O tórax foi aberto para a retirada do coração, e está coberto por compressas que escondem a cavidade torácica. A região da genitália externa é parcialmente coberta pelo lençol. É possível perceber também a incidência da luz sobre a jovem, e o cuidado do pintor quanto às sombras projetadas pela anatomia de seu corpo (braços, seios, região cervical). Aliás, é a anatomia feminina que merece mais atenção, tendo em vista a perfeição que Simonet dedicou a cada detalhe do corpo. Outro fato interessante é quanto a luminosidade do cadáver, mais evidente que a do cientista, vestido de preto e ocupando uma região mais escura da obra.
Quanto ao médico-legista, posicionado à esquerda do corpo da moça, notam-se alguns fatos referentes a sua condição científica: a vestimenta, o óculos, a barba e os cabelos grisalhos, a idade. Em sua mão esquerda é segurado o coração, objeto que dá título à obra, configurando emoções (subjetividade) à cena retratada. Concernente à anatomia do órgão, é possível observar a base do coração, onde salientam-se alguns vasos, porém, sem muita clareza para definir detalhes de idiotopia.
A mão direita, parcialmente apoiada na mesa de autópsia, segurando o bisturi, parece ajudar  o médico a firmar-se sobre suas pernas, ante o deslumbramento do órgão analisado. Evidencia-se também que o perito não faz uso de aventais ou de luvas, equipamentos de biossegurança que só começavam a ter relevância no final do século XIX e início do século XX.
O canto superior esquerda do quadro é a região mais escura. Há uma lamparina acesa aos pés do que parece ser um crucifixo, objeto muito comum em necrotérios ainda nos dias de hoje. Na parte inferior esquerda, nota-se, sobre a mesa atrás do médico, uma caixa de instrumentais. Mais inferiormente, sobre uma maca de metal, está a assinatura do pintor.
A pintura foi inicialmente chamado de "ela tinha um coração!", vindo só mais tarde receber o nome "Anatomia do Coração." Outra denominação bem famosa para o quadro é "Autopsia".
A pintura possui 177x291cm e atualmente encontra-se no Museu Provincial de Belas Artes de Málaga, Espanha.
Rafael Martinez Pereira Nogueira - Acadêmico de medicina e integrante da LAMEL/UPF
BIBLIOGRAFIA E MAIS INFORMAÇÕES: